O meu pai diz-me que toda a gente se levanta de mahã com um objectivo (ou vários, depende), e que eu preciso de achar o meu objectivo, aquele que me faz levantar e fazer qualquer coisa pela vida!
E tem toda a razão.
Bolas detesto, mas ele tem quase sempre razão!
Parece que ando à deriva na minha vida, à espera que alguém me resgate, me dê dois estalos e eu acorde para o mundo. É, infelizmente sou assim. É como as dietas, sempre para a segunda-feira que vem!
Falta-me alguma coisa. E émbora precise de trabalho (na minha área) e de dinheiro, não é isso que me falta.
Falta-me qualquer coisa e eu não sei o quê.
Para a semana que vem tenho alguns planos.
Um deles é talvez pôr fim ao blog.
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Ás vezes de onde menos se espera vem uma boa surpresa e esta hoje aqueceu-me o coração.
"Olá linda, tudo bem na tua vida?
Tava aqui a pensar na vida e lembrei-me de ti.
Eata mensagem é só para te dizer que mesmo não sendo aquele tipo de amigo que te visita e está contigo te considero minha amiga. Guardo-te com carinho. Beijo grande"
Foi bom, muito bom, estava a precisar de um miminho destes. OBRIGADA João Gil, sei que não lês o blogue (aliás tirando as 10visitas diárias mais niguém lê) mas fica aqui publicamente a minha gratidão!
Conheci o João há uns anos quando trabalhei numa Discoteca cá do sitio, eu era caixa e ele apanha copos. Algumas amigas minhas já o conheciam. Era giro, alto, moreno, com aquele estilo tranquilo, calça larga, ténis, cabelo despenteado. Eu era a "betinha" vá, que nunca usei pólos nem sapato de vela, mas era assim que ele me chamava.
Logo o João que não foi nada com a minha cara, achava-me com a mania e beta (naquela altura era bem mais gira que agora, oh tempo volta para trás!).
Enfim... lá mudou de opinião para melhor!
Muito obrigada, nem sabes como me animas-te o resto da tarde de hoje!
A eutanasia nos animais...matar por amor?
A semana foi dura de passar, chorei que nem uma madalena.
Estou agora a escrever e a sentir aquele nó na garganta, sinto falta do meu pequenino, das patinhas dele, dos miau au au que ele fazia quando chegava a casa, sinto falta da rotina com ele, sinto falta e pronto!
O assunto ainda me transtorna e eu mal tenho falado sobre ele, a meio da semana pisguei-me para caso do meu respectivo, ao menos lá não ha recordações de nada, e a bem dizer fez-me bem. Agora que voltei estou outra vez para o mesmo.
A minha mãe também se fartou de chorar, parece que passou dois dias no trabalho sem abrir o bico. O meu pai, se chorou eu não vi, mas falava muito no assunto, partilhava o assunto com os colegas de trabalho (que também têm gatos), parece-me que "pediu conforto" nas palavras dos outros para se justificar o acto.
Mas eu repito na minha mente over and over again aquelas horas, quando olhei para o veterinário e lhe disse que sim com a cabeça. Ele perguntou se eu queria assistir. Respirei fundo e disse que sim. Entrei na sala, peguei no meu tarequito e abracei-o ao mesmo tempo que me desfiz em lágrimas. O veterinário abriu a porta e foi para a rua, regressou com os olhos vermelhos e vidrados. Foi ao meu colo que ele lhe administrou a anestesia geral, eu chorava, sempre com uma esperança de se reverter tudo, ele foi ficando calmo, a respiração mais leve, vomitou a comida e a merda das cascas de camarão que roubou do lixo, e eu só pensava, fodasse quem deixou a merda do lixo aberto? se ele não tivesse comido esta merda se calhar isto não tinha acontecido. Fui-lhe fazendo festas. e sempre com a puta da esperança. Mesmo agora, tou aqui sentada e tou com esperança que ele apareça lá fora a miar para entrar.
Peço desculpa, mas não me consigo controlar e este texto vai ser escrito à base de asneiras.
Fodasse que nunca pude imaginar que se podia amar tanto um animal. Era a minha companhia, era o pequenito cá de casa, cheio de pinta, cheio de piada...
Beijei muito aquele narizinho. E foi em cima da bancada que ele ficou ali deitado, morto.
Magoa-me tanto a morte dele como a da minha avó que faleceu à um ano.
Eu que sempre fui a favor da eutanásia, agora pergunto-me quem somos nós para decidir se aquela pessoa deve ou não morrer? Nós a decidirmos sobre a vida de outrem? Matar por amor é o que lhe chamam...
É nestas alturas que eu gostava de ser rica. Tinha dinheiro para pagar mais um tratamento, mais uma operação, a comida ainda mais cara... e se assim fosse estava ele aqui ao meu colo de fralda, colar isabelino a espreguiçar-se todo mimalhão...
Saudades, tanta saudade...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Esta semana lá vou visitar a óptica. Para mim é assim como um castigo por isso ando a adiar desde março. Só vou movida pelo raspanete da minha mãe.
Parece que este ano vou deixar-me ficar com a mesma armação, não estou com vontades de experimentar mil e quinhentas armações e ficar para ali a deprimir-me que nenhuma me fica bem.
Save me god!
domingo, 23 de maio de 2010
Sobre os cinco sentidos - a visão (ou a falta dela)
Foi na véspera do aniversário dos meus 20 anos que fui buscar o meu primeiro par de óculos. Escolhi uma armação de massa de cor preta. Já levava na lente esquerda 2,5 dioptrias e na lenta direita 1,5 dioptrias. Assim como estreia já ía bem apetrechada!
Nem um ano depois, ouço da voz da especialista da optica um "Não tenho a certeza, mas parece-me que tem um problema ócular que eu aqui não posso detectar com toda a clareza, aconselho a ida a um especialista". Lá fui.
Da boca do Oftalmologista1 saiu o pior que podia ter ouvido, uma doença genética, que só se revela a partir da adolescência e que pode levar à cegueira. Ele disse-me basicamente que o mais provavel era dali a 20 anos estar cega. Posso ou não estar cega, porque não é previsivel e cada um tem o seu progresso da doença. Saí de lá de rastos. No carro chorei até desidratar. Em casa pesquisei tudo o que havia a pesquisar na internet.
Um ano após a noticia consultei um outro oftalmologista, fui convicta de que ele me iria dizer que afinal não tinha nada daquilo. Mas ele apenas voltou a confirmar. Nesse dia não me consegui conter e chorei ali mesmo em frente ao Oftalmologista. Afinal não há nada que possa fazer, não posso prevenir, não posso nada. É esperar pelo futuro, no dia em que ficar cega (se ficar cega) a resolução é o transplante de córnea. Até lá não há nada a fazer.
A minha doença genética chama-se queractocone, não me vai matar, mas transformou a minha vida. Graças a ela a minha auto-estima escorregou-me toda pelas mãos. Não penso nisto todos os dias. Mas vivo com a falta de visão todos os dias. Faço piadas e rio-me de mim mesma. Mas há dias em que bate cá fundo. Nesses dias mentalizo-me com a frase feita e tão tipica do portuga "podia ser pior", nesses dias gostava de ser uma daquelas pessoas movidas pela fé.
Não me vai tirar a vida, mas mata-me a auto-estima, dia após dia.
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