segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tinha uns 4 ou 5 anos quando assisti ao Paulo (o meu pai biológico) dar um murro à minha mãe. Lembro-me de um dia, não sei qual, em casa da minha avó, ir buscar uma vassoura para lhe bater. Lembro-me de crescer com a ausência dele. No entanto tive um Pai, legalmente é meu padrasto, que me educou, que me mimou, que me ajudou nos trabalhos da escola, que me incentivou a querer estudar e ser mais do que ele e a minha mãe, que me bateu e ralhou quando necessário. Cresci sem ter tudo o que queria. Lembro-me da Mafalda, uma amiguinha, tinha um quarto só de brincar e tinha todos os brinquedos e roupas giras que eu também queria. Queria, mas não tinha que o dinheiro não chegava para isso e compreendia, triste mas compreendia. Nunca fui de grandes birras. Se me pediam para estar sossegada ficava quietinha a cumprir as ordens! Lembro-me de chorar á noite na cama e de rezar a um bisavô, tudo porque ficava triste, porque os pais dos outros embora divorciados íam buscá-los para passarem o fim de semana, havia prendas no Natal e no aniversário e o meu, bem o meu nem um telefonema. Senti-me revoltada muitas e muitas vezes. Repeti alto e em bom som que um dia ainda havia de lhe passar com o carro em cima. Ele já tentou uma aproximação, mas eu não consigo perdoar, nunca vou conseguir entender os porquês dele e da familia dele.
Embora tudo isto, nunca fui de andar a bater na minha familia, sempre os respeitei desde miuda. Nunca respondi mal aos meus avós ou até mesmo aos meus tios e primos.
Fui uma garota calma. Sem grandes sorrisos. Não sou de sorrir. Mas nunca fui mal educada para ninguém. E nunca faltei ao respeito po iniciativa a ninguém.
Se calhar fui eu que fui demasiado bem educada ou a educação que recebi não é deste mundo. Quer-me parecer que quem é mal educado é que se safa e é quem tem o respeito dos outros!

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